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Incêndio – Maria Teresa Horta

  • Foto do escritor: deboracatanante
    deboracatanante
  • 12 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Esta é uma análise do poema Incêndio da autora e jornalista Maria Teresa Horta, uma escritora portuguesa nascida em Lisboa, fez sua carreira no campo da poesia por meados dos anos 60 com um livro de poemas titulado Espelho Inicial. Em 1971 passou a ser considerada um expoente do feminismo em Portugal, pois foi co-autora nas Novas Cartas Portugueses, o que lhe rendeu processo judicial. Ela utiliza sua carreira literária para lutar pelos direitos das mulheres, utiliza do erotismo para denunciar repressão sexual e para dominar o discurso do prazer, que até a década de 60 era exclusivo do território masculino.


Maria Teresa Horta




Incêndio


Tu acendes a chama

do meu corpo

pões a lenha ao fundo

em sítio seco

Procuras no desejo

o ponto certo

e convocas aí

o lume certo

Se a madeira demora

a ganhar fogo

tomas-me as pernas

e deitas lento o vinho

Riscas os fósforos todos

e depois

é mais um incêndio

que adivinho

Maria Teresa Horta, in "Só de amor"




No poema Incêndio percebe-se a presença desse erotismo, o que mostra a virada da escrita feminina contemporânea. Um erotismo voltado para a relação de um homem e uma mulher (“Se a madeira demora a ganhar fogo tomas-me as pernas e deitas lento o vinho”), enfatizando a busca de um pelo outro através do amor, chegando até mesmo a ser uma relação platônica. É um poema bem intimista e feminino, afinal descreve as sensações do corpo feminino durante uma relação sexual, o antes, durante e o depois, e os sentimentos, pois a Eu-lírico crê em um amor recíproco.


O título do poema se refere as sensações do corpo feminino durante uma relação sexual com amor e desejo, uma metáfora “incêndio: corpo pegando fogo”. O poema começa em segunda pessoa do singular, ou seja, ela está se direcionando a alguém, ela fala para alguém específico “tu”. No poema, é utilizado do erotismo para chegar ao amor (“Procuras no desejo o ponto certo e convocas aí o lume aberto”).


Há uma grande repetição da vogal “O”, o que dá uma obscuridade e intensidade ao poema, e a das consoantes “N e M”, trazendo uma ideia de percorrer, ou seja, começa deixando o corpo pegando fogo e termina pensando na próxima vez, ou seja, é um caminho percorrido. A contemporaneidade está presente desde do assunto, linguagem e silaba métrica, pois não segue um padrão.

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